HISTÓRICO DA IGREJA – Os Batistas em Magé
Corria o ano de 1921. O sol de fevereiro brilhava com fulgor quando chega a esta cidade, vindo de Porto das Caixas, o irmão João Paulino de Andrade, membro da igreja em Lavras do Rio Bonito. Chegado, exercia o mister de sua profissão e assistia aos trabalhos da igreja congregacional. Os membros desta denominação sempre dispensaram atenção e carinho aos que ali chegavam, tanto ao amigo como a pessoas professas de qualquer denominação.
Passam-se os meses e, no albor de 1º de outubro, vem de Lavras do Rio Bonito residir a irmã Nazareth Vieira de Andrade, esposa do irmão Paulino. Estes dois irmãos continuam a frequentar com os congregacionais.
O ano de 1921 desaparece e nasce o de 1922, cujas auroras derramam maiores luzes para a esperança que olha o futuro e que, no dizer do poeta, “é a última flor que morre no coração”. O ano avança e, em junho, aportam, pela vez primeira nesta cidade, os irmãos José de Lima França, membro da igreja em Niterói, e Joaquim Ribeiro, de saudosa memória, membro de Macaé. Os referidos irmãos, juntos aos dois existentes, fazem uma reunião de oração em casa do irmão Paulino e aconselham que tirassem carta para a igreja em Niterói. Aquela reunião continua.
O tempo corre e, com ele, nossas aspirações se realizam e se modificam; novos horizontes se nos abrem e novos conhecimentos adquirimos. É nesse torvelinho de ocorrências que, em agosto, às portas de Magé bate o irmão Arlindo Batista e, dias depois, sua esposa, a irmã Modéstia Batista, vindos da Igreja Batista em Ernesto Machado. Como vê o leitor, Deus estava enviando mensageiros para armar a tenda dos batistas.
Chegada esta família, por conveniência de casa e lugar, a reunião passou a ser em casa do irmão Arlindo Batista e não mais na do irmão Paulino. Este irmão trouxe em sua companhia muitas pessoas e, devido à sua influência como encarregado na Leopoldina, as reuniões eram animadíssimas. Existiam as sementes, o terreno e os semeadores; faltava só semear.
Em 1923 chega também de Ernesto Machado a irmã Maria de Souza. Todos cooperam e se reúnem para o trabalho do Senhor Jesus.
O diretor A. B. Christie toma conhecimento do pequeno núcleo de batistas que habitavam em Magé. A 8 de abril de 1923, ouvia-se o bacharelando Erodice de Queiroz, hoje pastor da Igreja Batista em Pádua, cuja presença agradou a todos. A 15 do mesmo mês chega, enviado também pelo Dr. Christie, o irmão Adosino Neto, de saudosa memória, que goza as bênçãos do justo. Sua visita deixou transparecer esperança de um futuro mais amplo.
A este estado, reconhecemos que já se fazia alguma coisa. O Dr. A. B. Christie, lutador indefeso do campo, nunca negou seu auxílio e deu sempre provas de maior simpatia, enviando pregadores.
O trabalho anda e, a 8 de julho do mesmo ano, batizam-se o irmão Heitor Macieira, membro da Igreja Congregacional, que sentiu que devia ser “sepultado com Cristo”, numa só fé e em um só batismo, e o irmão Alexandre de Azevedo, que vive na presença dos santos. Realizou os referidos batismos o irmão Dr. Manoel Avelino de Souza, cuja consagração ao serviço do Senhor é suficientemente conhecida.
Findo, nesse mesmo ano, o curso do Colégio Batista Fluminense, o irmão Antônio Ferreira Soares, hoje pastor em Cacimbas, vem, no começo de 1924, para o Rio de Janeiro e, a mandado da Junta Estadual, visita vários lugares, dentre eles Magé. Indo o Dr. Avelino para a América do Norte, ficou o trabalho sob os cuidados do Dr. Christie e, a seu mandado, o irmão Soares visitou muitas vezes.
Durante os anos de 1923 e 1924 foram batizados Heitor Macieira, Alexandre de Azevedo (já referidos), Thereza Lamino, Francisco Bueno, Domingos Atratino, Carlota Barroso, Carlindo e Antônia Xavier, Antônio e Rosa Freitas de Souza, Gumercindo Campos. Estes, juntos aos outros quatro — Arlindo e Modéstia Batista, João Paulino e Nazareth Andrade —, a 19 de setembro, formaram uma congregação sob os auspícios da Igreja Batista em Niterói.
Para dirigir os destinos da congregação recém-criada, elege-se uma diretoria cujos nomes se declinam por: Moderador, Dr. Manoel Avelino de Souza; Secretário, João Paulino de Andrade; Tesoureiro, Arlindo Batista; Superintendente da Escola Dominical, Alexandre de Azevedo.
No correr de 1924 adquiriu-se um terreno no valor de 1.000$800, onde se pretende fazer o seu templo, cuja aquisição deve-se à cooperação leal e sincera dos crentes e ao apoio dos amigos. Prosseguem os trabalhos, que sofreram com a retirada do irmão Arlindo Batista da companhia e com a mudança de vários irmãos da sede.
O ideal, entretanto, por parte dos organizados, não morreu, pois em março de 1925 vem, a mandado da Junta, o irmão João Barreto e Silva que, visitando os crentes, anima-os e pede a cooperação dos mesmos para o desenvolvimento do trabalho, cujos frutos se verificam no desenrolar das atas.
Secretário:
João Paulino de Andrade
